Há uma mulher nua
Pintada na minha rua,
Não é minha nem é tua
Mas de que a imaginou,
De quem com uma lata a pintou
E usou a imaginação.
Conseguiu ver a perfeição
Do que é uma mulher...

A perfeição é subjectiva,
Como se em vez de olhos
Possuísse uma objectiva
Que vê mais do que os olhos alcançam.

Mulheres assim há aos molhos,
Mas para quem vê com dois olhos
Vê a perfeita perfeição,
Uma miragem na confusão,
Olhos esses, que mesmo quietos, dançam...

Quieto, ando,
Parado, movo-me,
Com as histórias que me contam,
Choro, riu e comovo-me...

Vidas passadas assombram
Os dias que vejo passar,
Não sei onde ou quando,
O sangue vai estancar.

Quero ar,
Quero respirar,
Quero ir à lua e voltar
Para me perder ao me encontrar...